
Sonhar com o próprio negócio é fácil. Difícil é fazer a conta para saber se o banco vai acreditar no projeto. Em Cabo Verde, uma das maiores barreiras para o financiamento não é a taxa de juro, mas sim a exigência de capital próprio.
Muitos empreendedores ficam frustrados quando o banco pede uma parte do dinheiro do próprio bolso. Afinal, se tivesse o valor total, não estaria a pedir um empréstimo, certo?
Este artigo explica exatamente quanto precisa de ter, o que bancos como a S&D procuram e, o mais importante, como justificar a origem desse dinheiro sem cair em burocracia.
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Capital próprio é o dinheiro que o empreendedor ou os sócios colocam no negócio. É a sua “pele no jogo”.
Os bancos em Cabo Verde seguem regras de prudência internacionais. Eles raramente financiam 100% de um investimento. Porquê?
Em resumo, o banco quer ter a certeza de que está a entrar numa parceria com alguém que também tem a perder se as coisas correrem mal.
Não existe uma lei fixa que exija um valor exato para todos os setores. No entanto, a prática de mercado em Cabo Verde define uma regra geral conhecida como a “regra dos 30%”.
O cálculo funciona assim:
Exemplo prático: Se o seu projeto de construção ou comércio custa 10.000.000$00 Escudos, prepare-se para ter, pelo menos, 3.000.000$00 disponíveis para injectar.
Não precisa de ter o dinheiro todo em numerário na gaveta. Os bancos aceitam várias formas de bens e valores como entrada para o projeto:
Para bens que não são dinheiro, é necessário uma avaliação oficial ou um peritagem para atribuir um valor financeiro justo.
Esta é a parte onde muitos projetos travam. Em Cabo Verde, as regras contra a lavagem de dinheiro e o financiamento ao terrorismo (AML/CFT) são rigorosas. O banco não pode aceitar dinheiro “sujo” ou sem explicação.
Precisa de provar de onde veio o dinheiro. A transparência é obrigatória.
Aqui está um resumo do que os bancos geralmente pedem para cada origem de fundos:
| Origem do Fundo | Documentação Comprovativa |
|---|---|
| Poupança Antiga | Extratos bancários dos últimos 6 ou 12 meses mostrando a acumulação gradual. |
| Venda de Bens | Escritura pública da venda e comprovativo da transferência bancária. |
| Herança / Doação | Escritura de habilitação de herdeiros ou escritura de doação. |
| Reforma / Indemnização | Documento da seguradora ou da Caixa de Previdência. |
| Dinheiro do Exterior | Declaração de transferência internacional (Swift) e origem no país de origem. |
| Pensão ou Salário | Declarações de IRS, recibos de vencimento e extratos bancários. |
Dica importante: Sacos de dinheiro físico (numerário) são altamente desaconselhados. Se tem o dinheiro em casa, coloque-o no banco meses antes de pedir o financiamento. Depositar uma quantia enorme de uma vez só levanta suspeitas e pode bloquear o processo.
Para evitar stress na análise do crédito, siga estes passos:
Se não tem o valor exigido, não minta no processo de candidatura. Isso é crime e pode levar à execução da dívida e processos judiciais.
Em vez disso, considere:
Ter capital próprio em Cabo Verde não é apenas uma exigência burocrática, é um sinal de maturidade do projeto. Mostra ao banco que está comprometido com o projeto.
A chave para o sucesso é a organização. Justificar a origem dos fundos leva tempo e exige papelada, mas é a única forma de desbloquear o financiamento de forma segura e legal.
Prepare os seus documentos com antecedência e mantenha a sua vida financeira organizada. O seu futuro empreendedor agradece.
Está a planear um investimento e tem dúvidas sobre se o seu capital próprio é suficiente? Fale com um especialista da S&D hoje mesmo e faça uma simulação gratuita.